E stou com tanto medo! Estou apaixonada. Agora sem sombra de dúvidas, sem margem para erros. Ou sem margem para dúvidas e sem sombra para erros. Sei lá. Só sei que estou.
Incrível é deixar-me consumir e envolver pela paixão quando tudo já está difícil, desgastado e incerto.
O que custa a crer é que foram precisas várias "facadas", vários episódios clarificadores do choque de personalidades, várias desfeitas... "O tempo louco da paixão já passou, Star", digo-me firme. Mas quando já era suposto tudo se ter diluído, quando já estava segura e liberta das incertezas iniciais, i.g., "que iremos nós estabelecer?", por que já ali estávamos: confiantes, algo conhecedores, rotineiros, sequenciados...
Depois dou por mim, do alto da minha segurança e tranquilidade e contentamento por te ter ali enquanto amigo e companhia, a tirar os olhos do livro para te olhar (por que falavas) e, sem mais nem menos, sem previsão, antecipação ou aviso, um avião embate contra o meu peito e todos os seus estilhaços são absorvidos e sugados pelo meu coração, como se este fosse um vórtice: e assim dou por mim apaixonada.
Olho-te e a folha deixa de ter importância alguma. "Merda!!!!!! Merda, merda, merda!!!!!" É só o que consigo pensar. Não por ter sido distraída da importância do que estava a ler - nada disso, quem já esteve apaixonado consegue perceber o quão importante se tornou a importante e pertinente folha quando comparada com o choque explosivo que ia no meu peito - conseguem só imaginar não é? A grande merda era mesmo estar a sentir "aquilo"! O olhar para ele e ter o meu sorriso subtil tendencial esquerdo e olhar fixo. tipico de quando estou apaixonada: isso sim era a grande merda!
Seguir-se a isto um abraço forte e de carinho faz com que queira fugir, correr, correr, correr, sem parar, como se a cada passada tanto ele como todos os estilhaços do do avião que em mim embateu (muito ao estilo do 9/11) ficassem para trás, tal como um cometa quando, a grande velocidade, entra na órbita terrestre e se desfragmenta deixando para trás todos os seus pedaços.
Seguido a isto ter o meu sono irrompido pela tua presença; abraça-te enquanto estou meio adormecida sem perceber se sonho ou estou acordada, sentir as tuas costas em mais um abraço ... é um pouco demais.
Mas tudo piora!
Regressar ao meu sono e passar a noite a sonhar que fazes parte do meu quotidiano, que me contas histórias sorridentes da sua infância e da infância do teu filho, que sais do carro e regressas com umas flores selvagens, pequenas, frágeis e definhadas só porque sabes o quanto adoro flores e primavera... sonhar que me abraças durante uma sesta de Verão antecedida de uma manhã se Sol e mar, muito mar... Isto já é mais do que o meu coração pode suportar!!! Isto já não é medo: é pânico!!!!
Vou sair magoada disto, eu sei! Vou precisar de muitas curas de mar e de muito apoio de sereias vindas do fantástico.
Mas, baixinho, em surdina e só aqui entre nós: estar apaixonada é tããão bom :) E o sonhar com isso só o vem confirmar (caso, de forma muito casual e leviana, não tivesse sentido o avião a embater em mim... só um reforçozinho que o Universo achou necessário! Como Ele consegue ser irónico às vezes)
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quinta-feira, 3 de maio de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Desvalorização ?
E fiquei a pensar.
Repetidamente os meus amigos chamam-me a atenção de como acabo sempre por me apaixonar por pessoas que não me "merecem". «Não percebo Starinha, acabas sempre com quem não te merece. Vê-se logo que ele ainda é um miúdo, pah! Tu já és uma mulher, devias arranjar um "cavaleiro". Quando é que acertas?»
E o engraçado é que este tipo de afirmações arranca-me sempre uma gargalhada porque acho mesmo que o coração não escolhe racionalmente. Se assim fosse...
E lá continuo eu apaixonada, consciente da escolha do meu coração, simplesmente à espera que as coisas corram mal para acabar aquilo que sei sem grande futuro. E sempre aceitei isto com algum ânimo leve por que não é isto que a vida é? Um conjunto de decisões que podem ser menos acertadas mas que nos fazem felizes? E quem disse que a felicidade deve ser depositada nos outros? Claro que quando as coisas acabam vem a era depressiva: choro, isolo-me um pouco, a minha energia desce, fico mais calada, mais sensível... Mas depois passa.
E isto tudo para dizer que FIQUEI A PENSAR.
Dois amigos meus, ambos corações de ouro, assumiram relações com raparigas que todos sabem ser conflituosas, pouco educadas, algo descontroladas, ciumentas, inseguras, desinteressadas por coisas culturais, infantis e que, nem por isso, são giras o suficiente para anular tudo o resto (se é que me faço entender). Não me achando, de um todo, com direito de criticar ou julgar alguém, a verdade é que todos percebemos isto. A diferença é que eu sempre achei genuinamente, que o amor é cego e desinteressado até que senti mesmo «Bolas, este gajo não deve gostar nada dele mesmo!!! Porque está ele a ser fraco e a sujeitar-se a esta pessoa??? Ele vale mais que isto, pah! Quando é que ele acerta???» e . . . OH MEU DEUS, eu estava a pensar e a sentir aquilo que os meus amigos sentiam quando me chamavam a atenção.
E, então, fiquei a pensar: será que, no que toca ao amor, gosto pouco de mim e por isso sujeito-me a menos do que mereço?? Ou será que o amor é mesmo só cego e desinteressado?? E deverei ficar triste por os outros me verem como alguém que se subestima, submetendo-se a relações com pessoas que não me "merecem"??
Não quero que este post soe arrogante e prepotente. Não gosto, nem quero, estar a julgar o valor de ninguém, nem quero que pareça que vejo o mundo como um catálogo de pessoas, onde cada um está na sua secção (alta costura, promoções e saldos), mas acho que entendem onde quero chegar. Talvez a escolha de palavras não tenha sido a melhor, mas não encontrei outras.
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